Todos nos indignamos com a corrupção.
Ela nos fere porque transgride os princípios éticos da civilização e desrespeita os objetivos que uma nação estabelece para si mesma. Rousseau já dizia que o Estado é parte de um contrato com o povo para garantir a ordem e o bem-comum. Quando quem governa desvia esse contrato em benefício próprio, não há mais ordem socialmente necessária — há o que Alvin Toffler chamava de "mais-ordem": o excesso de controle imposto não para o bem da sociedade, mas para o bem de quem detém o poder. O enriquecimento ilícito nunca pode ser o objetivo de uma organização pública. E quando lançam mão de meios antiéticos para se manter no cargo, a legitimidade da autoridade precisa ser questionada.
Mas ninguém se iluda: a corrupção não será varrida do Brasil com a simples troca de pessoas ou partidos. Paulo é direto em Gálatas 5.19 ao afirmar que "as obras da carne são conhecidas, e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria…" E em Romanos 1.28, ele explica a raiz do problema: "por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes." A corrupção não é apenas um problema político. É um problema de coração.
Por isso, se queremos ver amor, paz e justiça florescerem, é preciso que haja vida espiritual nos corações das pessoas. Um transplante, como pede o salmista: "Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto." (Sl 51.10) Nenhuma reforma institucional substitui essa transformação interior.
Cabe aos cristãos, então, além de cumprir seus deveres cívicos como cidadãos responsáveis, levar a Palavra de Deus aos corações do povo brasileiro. Somente o Espírito Santo, através da Palavra, pode mudar corações e fazer com que governantes e governados busquem genuinamente o bem de todos. Jesus disse que veio "para que tenham vida, e a tenham em abundância" (Jo 10.10). E nos chama a ser "sal e luz no mundo", para que as pessoas "vejam as vossas boas obras e glorifiquem ao Pai que está nos céus" (Mt 5.13-16).
Oremos: Amado Deus, ajuda-me a ser um cidadão consciente. Protege o nosso país dos maus administradores e ajuda-nos a ser bons administradores dos bens que Tu nos deste. Amém.