Carlos Drummond de Andrade escreveu uma frase que parece feita pra descrever cada um de nós: "A minha vontade é forte, porém minha disposição de obedecer-lhe é fraca."
Quantas vezes você quis fazer algo diferente — e não conseguiu? Quantas vezes sabia que estava errado — e fez mesmo assim? Quantas vezes a sua vontade venceu o que você sabia ser certo?
A nossa vontade tem uma força impressionante. O problema é que ela nem sempre aponta pro lugar certo.
E então João escreve algo que parece provocação: "Amar a Deus é obedecer aos seus mandamentos. E os seus mandamentos não são difíceis de obedecer."
Não são difíceis? Sério? Pra quem luta todo dia entre o que quer e o que deveria fazer, isso soa quase irônico.
Mas João não está sendo ingênuo. Ele está apontando pra uma chave que muda tudo: a motivação.
Quando você faz algo por obrigação, pesa. Quando faz por amor, é diferente. Não necessariamente fácil — mas diferente. Quem ama quer agradar. Quer fazer bem a quem ama. Não porque precisa. Porque quer.
O problema é que nossa vontade de obedecer é fraca. A gente sabe disso. E Deus também sabe. Não foi à toa que enviou Jesus — que viveu a vida perfeita que a lei exigia e que nós não conseguimos viver. Que morreu carregando nossa incapacidade, nossa desobediência, nossa vontade torta. E ressuscitou, oferecendo perdão completo.
Perdoados por Jesus, algo muda no coração. A obediência deixa de ser peso e começa a ser resposta. Resposta a um amor que veio até nós quando ainda estávamos no meio das nossas próprias vontades.
Por isso a Palavra de Deus importa tanto no dia a dia. É ela que alimenta essa motivação. Que lembra quem somos e o que recebemos. Que nos dá força quando a nossa disposição de obedecer está fraca — que é quase sempre.
Drummond tinha razão sobre a nossa fraqueza. João tem razão sobre o amor que nos transforma.
Oremos: Querido e bom Deus, obrigado por me perdoares por meio de Jesus. Fortalece a minha fé para que eu viva de acordo com a tua vontade. Amém.